Coronavírus: existe um lado bom? Pelo menos para o meio ambiente, a resposta é sim.

April 16, 2020

 

Queda substancial da poluição do ar na China, águas cristalinas em Veneza, animais selvagens passeando livremente nas ruas vazias de grandes centros urbanos, picos do Himalaia visíveis da índia: parece utópico, mas essas foram cenas reais que ocorreram após o início da quarentena ao redor do mundo.

 

Apesar de todos os imensuráveis impactos negativos decorrentes do novo Coronavírus, seja para a economia, política, segurança, indústria ou órgãos públicos, os relatos acima traduzem questões no mínimo intrigantes (pra não dizer revoltantes) a respeito da atual relação do ser humano com o planeta.

 

É de se pensar: se é necessário uma situação tão drástica de desaceleração quanto a que estamos vivendo para que outros seres vivos sintam-se à vontade e o ar que respiramos se torne realmente puro, qual o rumo estamos tomando com o estilo de vida atual? E o pior: o que ele nos reserva?

 

 

Efeitos da quarentena no meio ambiente

 

As consequências negativas da sociedade do hiperconsumo para o meio ambiente não são novidade, e as últimas notícias têm confirmado isso de forma incontestável. 

 

Um exemplo claro é o caso da China: com o fechamento das fábricas, comércio e restrições de viagens no país, o índice de emissões de dióxido de carbono (CO₂) despencou em pelo menos 25%, de acordo com o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea), com sede nos Estados Unidos.

 

As imagens da Agência Espacial Europeia, capturadas pelo satélite Copernicus Sentinel-5P, impressionam e é possível ver a diferença entre um período normal, onde a poluição causada pela produção industrial e queima de combustíveis é uma constante,  e atualmente, com a desaceleração econômica no país:

 

Foto: NASA | ESA (Public Domain)

 

Mas é preciso lembrar que essa mudança é temporária, e que uma mudança tão drástica assim teve custo alto em outros pilares da sociedade. A ideia aqui é trazer a vista o que tão pouco tempo é capaz de fazer, e propor uma análise mais profunda sobre nossas relações de consumo e a responsabilidade de cada um em uma possível mudança gradual, duradoura e profunda desse cenário.

 

 

 

 

O desacelerar na perspectiva do Slow Living

 

“A "vida lenta" assume uma importância maior à medida em que a cultura global de velocidade e risco sempre crescente encontra a inflexibilidade dos limites humanos e naturais. Acreditamos, em resumo, que os tempos atuais estão maduros para uma consideração séria de se pensar nesse viés.”  - Wendy Parkins e Geoffrey Craig, autores  do livro "Slow Living", de 2006.

 

"Desacelerar" em um primeiro momento, pode soar como perda de tempo, e até de dinheiro! Talvez seja culpa do famoso ditado “tempo é dinheiro”. Mas a verdade é que tempo é, sim, sinônimo de vida. Ou melhor, qualidade de vida

 

O tempo simboliza a vida que muitas vezes passa despercebida aos nossos olhos, seja porque estamos preocupados demais em conseguir alcançar ou manter um alto padrão financeiro e, consequentemente, o status que o mesmo carrega, ou porque estamos frenéticos fazendo mais e mais a fim de agradar a terceiros e conquistar certa simpatia social.

 

Você pode estar se perguntando o que isso tem a ver com mudanças climáticas, poluição e tantos outros impactos ambientais e sociais negativos que atingem o mundo, e a resposta é: TUDO!

 

Viver uma vida desacelerada não é sinônimo de retrocesso à tecnologia, muito menos de preguiça ou qualquer termo do tipo. Desacelerar tem a ver com um estilo de vida consciente, responsável, que respeita o tempo, a natureza e a vida - seja ela de seres humanos, da fauna ou mesmo da flora.

 

É optar por alternativas mais saudáveis e sustentáveis, desde a escolha daquilo que iremos comer, de quem iremos comprar, quanto e como iremos consumir, como iremos descartar o que consumimos, e por aí vai. É estar consciente dos impactos que causamos na Terra, e agir a fim de minimizá-los tanto quanto for possível. 

 

É lembrar que nossas escolhas não afetam apenas a nós mesmos, mas também nossos amigos, família e até mesmo pessoas do outro lado do mundo (e qual melhor exemplo do que a pandemia que estamos vivendo hoje?!). É saber que essas pessoas são iguais a nós: seres humanos, com as mesmas necessidades básicas, que também devem ter o direito de sonhar com dias melhores e alcançá-los.

 

Então, nossa sugestão é que você use este tempo que lhe foi dado para refletir. Em qual “mundo” pós-quarentena você quer viver? 

 

Por aqui trabalhamos para que notícias como estas, sobre atmosferas mais limpas e ecossistemas vivendo em unidade e cooperação, sejam a regra e não a exceção.

 

Referências:

 

https://revistaforum.com.br/coronavirus/videos-animais-selvagens-tomam-as-ruas-de-varias-cidades-em-quarentena-por-coronavirus/

 

https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/indices-de-poluicao-do-ar-despencam-nos-paises-com-quarentena/

 

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51682790

 

https://vogue.globo.com/lifestyle/noticia/2020/03/3-efeitos-positivos-da-quarentena-no-meio-ambiente.html

 

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/sao-paulo-ja-tem-melhora-na-qualidade-do-ar-diz-especialista.shtml

 

 

 

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