Coronavírus: existe um lado bom? Pelo menos para o meio ambiente, a resposta é sim.


Queda substancial da poluição do ar na China, águas cristalinas em Veneza, animais selvagens passeando livremente nas ruas vazias de grandes centros urbanos, picos do Himalaia visíveis da índia: parece utópico, mas essas foram cenas reais que ocorreram após o início da quarentena ao redor do mundo.


Apesar de todos os imensuráveis impactos negativos decorrentes do novo Coronavírus, seja para a economia, política, segurança, indústria ou órgãos públicos, os relatos acima traduzem questões no mínimo intrigantes (pra não dizer revoltantes) a respeito da atual relação do ser humano com o planeta.

É de se pensar: se é necessário uma situação tão drástica de desaceleração quanto a que estamos vivendo para que outros seres vivos sintam-se à vontade e o ar que respiramos se torne realmente puro, qual o rumo estamos tomando com o estilo de vida atual? E o pior: o que ele nos reserva?



Efeitos da quarentena no meio ambiente


As consequências negativas da sociedade do hiperconsumo para o meio ambiente não são novidade, e as últimas notícias têm confirmado isso de forma incontestável.


Um exemplo claro é o caso da China: com o fechamento das fábricas, comércio e restrições de viagens no país, o índice de emissões de dióxido de carbono (CO₂) despencou em pelo menos 25%, de acordo com o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea), com sede nos Estados Unidos.


As imagens da Agência Espacial Europeia, capturadas pelo satélite Copernicus Sentinel-5P, impressionam e é possível ver a diferença entre um período normal, onde a poluição causada pela produção industrial e queima de combustíveis é uma constante, e atualmente, com a desaceleração econômica no país:


Foto: NASA | ESA (Public Domain)


Mas é preciso lembrar que essa mudança é temporária, e que uma mudança tão drástica assim teve custo alto em outros pilares da sociedade. A ideia aqui é trazer a vista o que tão pouco tempo é capaz de fazer, e propor uma análise mais profunda sobre nossas relações de consumo e a responsabilidade de cada um em uma possível mudança gradual, duradoura e profunda desse cenário.




O desacelerar na perspectiva do Slow Living


“A "vida lenta" assume uma importância maior à medida em que a cultura global de velocidade e risco sempre crescente encontra a inflexibilidade dos limites humanos e naturais. Acreditamos, em resumo, que os tempos atuais estão maduros para uma consideração séria de se pensar nesse viés.” - Wendy Parkins e Geoffrey Craig, autores do livro "Slow Living", de 2006.


"Desacelerar" em um primeiro momento, pode soar como perda de tempo, e até de dinheiro! Talvez seja culpa do famoso ditado “tempo é dinheiro”. Mas a verdade é que tempo é, sim, sinônimo de vida. Ou melhor, qualidade de vida.


O tempo simboliza a vida que muitas vezes passa despercebida aos nossos olhos, seja porque estamos preocupados demais em conseguir alcançar ou manter um alto padrão financeiro e, consequentemente, o status que o mesmo carrega, ou porque estamos frenéticos fazendo mais e mais a fim de agradar a terceiros e conquistar certa simpatia social.


Você pode estar se perguntando o que isso tem a ver com mudanças climáticas, poluição e tantos outros impactos ambientais e sociais negativos que atingem o mundo, e a resposta é: TUDO!


Viver uma vida desacelerada não é sinônimo de retrocesso à tecnologia, muito menos de preguiça ou qualquer termo do tipo. Desacelerar tem a ver com um estilo de vida consciente, responsável, que respeita o tempo, a natureza e a vida - seja ela de seres humanos, da fauna ou mesmo da flora.


É optar por alternativas mais saudáveis e sustentáveis, desde a escolha daquilo que iremos comer, de quem iremos comprar, quanto e como iremos consumir, como iremos descartar o que consumimos, e por aí vai. É estar consciente dos impactos que causamos na Terra, e agir a fim de minimizá-los tanto quanto for possível.


É lembrar que nossas escolhas não afetam apenas a nós mesmos, mas também nossos amigos, família e até mesmo pessoas do outro lado do mundo (e qual melhor exemplo do que a pandemia que estamos vivendo hoje?!). É saber que essas pessoas são iguais a nós: seres humanos, com as mesmas necessidades básicas, que também devem ter o direito de sonhar com dias melhores e alcançá-los.


Então, nossa sugestão é que você use este tempo que lhe foi dado para refletir. Em qual “mundo” pós-quarentena você quer viver?


Por aqui trabalhamos para que notícias como estas, sobre atmosferas mais limpas e ecossistemas vivendo em unidade e cooperação, sejam a regra e não a exceção.


Referências:

https://revistaforum.com.br/coronavirus/videos-animais-selvagens-tomam-as-ruas-de-varias-cidades-em-quarentena-por-coronavirus/


https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/indices-de-poluicao-do-ar-despencam-nos-paises-com-quarentena/


https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51682790


https://vogue.globo.com/lifestyle/noticia/2020/03/3-efeitos-positivos-da-quarentena-no-meio-ambiente.html


https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/sao-paulo-ja-tem-melhora-na-qualidade-do-ar-diz-especialista.shtml

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